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  • segunda-feira, 23 de maio de 2011

    Sem saída

    Cansada
    A
    Calçada
    Foi até o meio
    Da rua

    quinta-feira, 12 de maio de 2011

    Amálgama

    Norma Santi 


    Colocada por Deus em linha elíptica
    Pra viver de dias cândidos
    Deitar-me à rede de noites plácidas
    Enluarada de águas límpidas

    Pra confirmar que a vida é efêmera
    Criada sobre a linha lógica
    Feita de tardes e paisagens lúdicas
    O reverso de outra retórica

    Vieram os tempos de ideias sórdidas
    Destiladas em coração pérfido
    Cauterizadas em sentimentos mórbidos
    E fecundadas em atos indômitos

    Há mais de um século em idade púbere
    Envolvida em crises cíclicas
    Como um câncer em suas metástases
    Tremo à ira de febres sísmicas

    Em harmonia de elementos químicos
    Atestada pela física quântica
    Enredada em tramóias cibernéticas
    Invoco a letra do novo cântico

    Movimento-me em camadas tectônicas
    Escurecida em ares ácidos
    Preparo em silêncio novas catástrofes
    E crio cenas de efeito épico

    Movo os braços em fúria homérica
    Abro novas fendas míseras
    Rio-me de suas perdas econômicas
    E exponho nossas vísceras




    sexta-feira, 6 de maio de 2011

    apaticarestia

    Apaticarestia

    Norma Santi

    À míngua
    A língua procura
    A dobra
    Que enrola teu corpo

    Às tontas
    A louca devassa
    O meio
    Que torneia teus dedos

    Às pressas
    A presa escapa
    E dobra
    O entorno do meio

    E a fome volta
    Cachorro e seu dono
    À míngua
    Às tontas
    Às pressas

    Às escuras submeto-me à fome
    A fome de ter fome
    De ter fome
    De ter fome

    segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

    Aloha

    Saindo daqui, tô no sal!
    Sal brow?
    Eu é que não vou me lascar
    Saindo da barriga da mãe
    Sal, só se for do mar!

    Digam pra mamãe que já fui
    Que nem precisa se preocupar
    E que meu único problema
    É se o pico da onda crowdiar

    Que as cuecas pelo chão
    Todo mês mando pr’ela lavar
    E já que não tenho grana
    Com cabelo não vou gastar

    Vou deixar tudo ficar rasta
    Vezinquando parafinar
    Vou trabalhar de sol a sol
    E em Floripa vou morar

    Nem com o rango precisa
    Mamãezinha ficar cabreira
    Qualquer larica da hora
    No luau, foguinho é lareira

    Duas ilhotas no horizonte
    Tanta mulher de shape perfeito

    E com Marijuana na cabeça

     Não seriam um par de peitos?

    Me distraio, fico aflito
    Tomo uma vaca, mó caldão
    Só ouço a galera dizendo:
    Sai daí seu haole vacilão.

    De repente meu mar fica flat
    Minha onda pequena marola
    Dou adeus ao vento terral
    E por hoje melhor ir embora

    Paguei de pangas do pântano
    E agora o que posso fazer?
    Melhor desfazer rapidinho
    Este kaô de WCT

    Chegando em casa mamãezinha
    Me diz que sou sonhador
    Me manda logo tomar prumo
    Que ainda me quer ver doutor

    Vou guardar meu tocossauro
    E bora estudar pro Enem
    Vou fazer vestibular pra Oceano
    E aí não me segura ninguém

    quinta-feira, 23 de setembro de 2010

    Como morre um grande amor

    Norma Santi
    Poema selecionado como Principal Destaque do Banco de Talentos Fenaban 2009

    Um grande amor não morre. Suspende-se.
    Toma uma rua paralela.
    Sorrateiro que é, ignora o não e se junta ao plano das horas.

    Um grande amor não morre.
    Apressa-se antes em crescer.
    Unem-se a ele cada palavra não dita, cada gargalhada repentina e incontida.

    Um grande amor não morre.
    Senta-se na poltrona mais confortável, assiste um cobertor e puxa a lista dos filmes prometidos.
    Um grande amor não morre.
    Recusa-se a fechar a janela exuberante da paisagem que continua ali, exibindo-se.

    Um grande amor não morre.
    Expande-se e agiganta-se porque deixamos que brotasse em nós.
    Cresce alheio à interrupção a qual o submetemos.

    Um grande amor não morre.
    Rende-se ao tempo.
    Guarda dentro de si todas as canções,
    Todos os olhares que por ora estão detidos.

    Um grande amor não morre.
    Pacientemente aguarda.
    Demora-se a compreender os porquês.

    Fica perplexo ao ver seus sonhos um a um pendurados na linha paralela.
    Linha onde ficam todos os amores subitamente interrompidos.
    Todos os amores andarilhos, abandonados, órfãos.

    Um grande amor não morre.
    Subalimenta-se.
    Insiste faminto a revirar restos que o mantenham vivo.

    Presente.
    Caminha de dia e a noite recolhe-se num canto qualquer em que lhe deem abrigo.
    Sente o frio do esquecimento.

    Um dia parte. Mas, partir para um grande amor não é morrer.
    É transmutar-se.
    É mansamente adormecer sob a doce sombra do alvorecer.

    sábado, 10 de julho de 2010

    Os seis poemas que seguem são parte integrante de minha participação no V Desafio de Escritores promovido pela Literatura de Câmara de Brasília. O desafio consiste em responder, semanalmente, a um tema proposto. Vem ai o VI Desafio, alguém se habilita?
    Maiores informações no site abaixo:
    http://desafiosdosescritores.sites.uol.com.br/