sábado, 30 de dezembro de 2017

Amálgama

Norma Santi 


Colocada por Deus em linha elíptica
Pra viver de dias cândidos
Deitar-me à rede de noites plácidas
Enluarada de águas límpidas

Pra confirmar que a vida é efêmera
Criada sobre a linha lógica
Feita de tardes e paisagens lúdicas
O reverso de outra retórica

Vieram os tempos de ideias sórdidas
Destiladas em coração pérfido
Cauterizadas em sentimentos mórbidos
E fecundadas em atos indômitos

Há mais de um século em idade púbere
Envolvida em crises cíclicas
Como um câncer em suas metástases
Tremo à ira de febres sísmicas

Em harmonia de elementos químicos
Atestada pela física quântica
Enredada em tramóias cibernéticas
Invoco a letra do novo cântico

Movimento-me em camadas tectônicas
Escurecida em ares ácidos
Preparo em silêncio novas catástrofes
E crio cenas de efeito épico

Movo os braços em fúria homérica
Abro novas fendas míseras
Rio-me de suas perdas econômicas
E exponho nossas vísceras




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